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Oficina realizada em Juazeiro vai capacitar profissionais para atuar na indústria cinematográfica
Da Redação
Entre os dias 6 e 20 deste mês, 80 estudantes, profissionais da área e interessados em produção audiovisual aprenderão no Centro de Cultura João Gilberto, em Juazeiro, o bé-à-bá do cinema – desde o roteiro, passando pelo manejo da câmera, até o uso das tecnologias digitais. Trata-se da oficina O que é cinema?, ministrada pelo cineasta baiano Roque Araújo, figura que com o cineasta Glauber Rocha ajudou a desenvolver a arte cinematográfica no nordeste brasileiro. O curso é uma realização da Prefeitura Municipal de Juazeiro e da Fundação Cultural do Estado da Bahia (Funceb).
Segundo o Supervisor de Artes Audiovisuais da Secretaria de Cultura, Esportes, Turismo e Lazer de Juazeiro, Alan Alves, o Vale tem um grande potencial para a indústria do cinema, como locação de grandes projetos cinematográficos, mas carece de mão de obra qualificada. “Aqui na região temos infraestrutura, logística facilitada, além de um clima que possibilita uma fotografia diferenciada, bastante procurada por quem deseja fazer filmes com o tema da Caatinga. Porém, não há profissionais suficientes para trabalhar em todas as etapas do processo produtivo, sendo necessário importar talentos de outros locais”, justifica.
A intenção é, além da capacitação, despertar a população para a qualidade da produção local. “Durante o curso, os alunos vão produzir vários vídeos que serão apresentados no Terminal de Ônibus Urbano, no dia 25 de outubro. Queremos que o Vale do São Francisco veja o que é produzido aqui e se interesse pelo assunto, tornando-se pelo menos um apreciador da arte”, reforçou o supervisor.
Além da oficina, haverá a exposição Museu de Equipamentos de Cinema, de Roque Araújo. “É uma coleção própria, em que mostro câmeras antigas, como a que Glauber Rocha fez seu primeiro trabalho, o aparelho que Guido Araújo iniciou sua carreira como cineasta, a câmara com a qual Chico Liberato fez o primeiro longa de animação na Bahia, outra que fez imagens durante a Segunda Guerra Mundial, a primeira Super 8 de Edgard Navarro... Cada máquina explicando seu papel na história da imagem em movimento no País”, explicou o cineasta, que também fará a palestra Cinema Brasileiro - Cinema Baiano: História e Empreendedorismo, no anfiteatro da Uneb, das 18 às 20h no dia 22 e na Univasf de Juazeiro, das 16 às 18h do dia 23.
Roque Araújo
Roque Pereira Araújo é natural de Salvador, cineasta e coordenador do Núcleo de Cinema e Vídeo da Diretoria de Artes Visuais e Multimeios (Dimas) da Fundação Cultural do Estado da Bahia (Funceb). Mas, sua carreira no cinema começou há cerca de 50 anos, quando em 1958 participou por acaso como eletricista do primeiro filme de Roberto Pires, Redenção. No filme A grande feira (1958), o segundo feito na Bahia, também trabalhou como eletricista. Foi quando conheceu Glauber Rocha e dele só se separou quando o gênio do Cinema Novo faleceu, em 1981. “Foi uma grande parceria e amizade que fiz o Glauber, um dos maiores nomes do cinema no Brasil”, orgulha-se.
Tudo o que ensinará na oficina, Roque Araújo aprendeu no dia-a-dia dos sets de filmagem. Nos anos em que passou de eletricista a diretor de fotografia, o cineasta foi várias vezes ao interior da Bahia, em cidades como Uauá, Canudos, Curaçá e Juazeiro. “A primeira vez que fui a Juazeiro foi em 1962, para rodar as filmagens de Seara vermelha, de Alberto D"Aversa. Logo depois fiz Lampião o rei do cangaço, de Carlos Coimbra”, informou. Ele voltou várias vezes à região para fazer documentários sobre a irrigação e a criação de caprinos e ovinos, participou de um filme italiano rodado em Juazeiro, da produção de Canudos (1997) e muitos outros.
Fez muitos amigos e admiradores na região como a jornalista Cinthia Sacramento, que em 2008 lançou o livro reportagem Por trás da câmera: A história de Roque Araújo no cinema. Para ele, o principal potencial cinematográfico do Vale é o clima. “Eu me dou muito bem com a área do campo e do Semiárido, apesar de sempre levar um pouco de chuva toda vez que vou a Juazeiro”, brincou.
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