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Outro fator de competitividade apontado pelo analista é a quantidade de caixas na propriedade e a distância dos apiários
Panoramabrasil/Agência Sebrae
O grupo de apicultores da região de Marília, formado por 15 municípios, será o primeiro dos 30 grupos de apicultores que existem no Estado de São Paulo, a receber o Gestapi (Gestor de Atividade Apícola), desenvolvido pelo Sebrae de Tocantins no período de 2004 a 2007, apresentado no 1º Seminário de Apicultura da Região de Marília. Esta metodologia oferece duas ferramentas de melhoria na gestão da atividade: Calendário Gerencial Apícola - um tabuleiro que permite o controle das colmeias, planejamento da produção e comercialização alinhados à florada (alta, baixa ou inexpressiva) utilizadas pelas abelhas - e o Simulador Gerencial Apícola, ferramenta eletrônica que calcula e registra valores de custos de manutenção do apiário, preço de venda e indicadores de despesas, receita, lucro e rentabilidade.
Segundo o analista técnico em gestão de apiários do Sebrae/TO, José Carlos Arruda de Bessa, a média de produtividade da região onde foi criado o Gestapi, no sul do estado de Tocantins, é de 30 kg de mel/colmeia, alcançando em alguns casos 42 kg de mel/colmeia, produção considerada ideal para o mercado. Outro fator de competitividade apontado pelo analista é a quantidade de caixas na propriedade e a distância dos apiários. "Quanto maior a distância entre o apicultor e os apiários, maior é o custo, pois dificulta a freqüência de visitas do produtor até o apiário, conseqüentemente é menor a produtividade. Em média, calculamos que se o apicultor possui mais de 30 caixas produtivas, o custo de produção varia entre R$ 2,63/kg a R$ 11/kg, mas se ele tiver menos de 30 caixas, o custo aumenta de R$ 11 a R$ 21/kg", exemplifica.
A apicultura é uma das atividades de agronegócio que compõe o atendimento do Escritório Regional do Sebrae/SP de Marília, que atende ainda outros 600 produtores da bovinocultura, ovinocultura, cafeicultura, olericultura, mandiocultura e fruticultura. "O objetivo é fortalecer as parcerias locais e regionais, por meio de projetos que desenvolvam a gestão do negócio, novas tecnologias, organização social e acesso a mercado, sempre voltado para que o produtor obtenha melhores resultados", afirmou o gerente regional do Sebrae/SP de Marília, Fábio Ravazi Gerlach.
O prefeito de Marília, Mario Bulgarelli, destacou a importância da polinização no tripé de sustentabilidade, no sentido de gerar emprego e renda no campo, além de promover equilíbrio na manutenção da biodiversidade. "É uma atividade que inclui a participação de 170 associados, mais de 350 famílias, nos 23 municípios participantes do projeto de apicultura. Em cinco anos, pretendemos aumentar a produção de mel de 120 para 500 toneladas/ano, a partir de um investimento em torno de R$ 1 milhão", declarou.
Diversidade
Mel orgânico de girassol, geleia real em pó, apiterapia (acupuntura com veneno de abelha, utilizada em Portugal e indicada para tratamento de artrite e esclerose múltipla) são alguns exemplos de como agregar valor aos subprodutos da atividade apícola. Estes produtos já encontram um mercado crescente e valorizado pelos consumidores, por exemplo, o quilo do veneno utilizado na apiterapia já é vendido R$ 40 g.
Lucimar Pontara Peres, doutora na área de apicultura pela Universidade Estadual de Marília, ressaltou outro exemplo de valorização dos produtos como o "Mel dos índios do Xingu", encontrado apenas em shoppings da capital paulista e em lojas europeias. "O própolis vermelho produzido nos mangues também exemplifica a valorização de um produto a partir da criação de uma identidade feita pela comunidade de Alagoas. Os apicultores da região de Marília precisam se unir e buscar sua potencialidade única e especial do mel, somente encontrada nesta localidade", completou.
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