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Colônia de pescadores acaba de receber seis PCs e acesso à internet para iniciar um pequeno telecentro
Da Redação
O pescador Alexandre Alberto da Silva, 50 anos, não tem e-mail. Ele foi a única pessoa ouvida pela reportagem que, apesar de já ter aprendido a mexer no computador para digitar os dados da colônia que coordena em Itacuruba, ainda não precisou criar uma conta de correio eletrônico para si. Alberto nem sabe o motivo ao certo, mas talvez não tenha para quem escrever - já que a maioria de seus amigos de profissão é analfabeta. Segundo ele, no entanto, a situação será diferente para as próximas gerações, que não precisarão mais viver da pesca minguada nos rios da região. "Em breve, todo mundo vai ter e-mail por aqui", garante.
A colônia em que ele atua acaba de receber seis PCs e acesso à internet para iniciar um pequeno telecentro. Os equipamentos foram doados pelo governo federal e serão interligados via satélite, hoje uma das maneiras mais usuais de levar a rede mundial para estas localidades. "Em pouco tempo, todos poderão utilizar estas máquinas, mas, claro, queremos dar prioridade aos filhos de pescadores esem-terra", explica Alexandre. Este tipo de conexão, entretanto, é possível apenas porque está sendo paga pela iniciativa pública, pois custaria muito caro para a comunidade.
"Neste ponto, é fundamental a colaboração do governo na confecção de um plano estratégico de informatização dos municípios. Se você não pensa assim, dificilmente estas pequenas cidades avançam", opina Cássio Tietê, diretor de marketing da Intel. "Vemos casos e casos de cidades que, após terem instalado banda larga pública, ganharam um ecossistema propício para o crescimento sustentável - com projetos que conseguiram economizar dinheiro dos seus cofres e trazer mais interesse dos empresários. Porém, isso somente ocorre quando existe uma política com estes objetivos", corrobora o gerente de canais de distribuição da Motorola, Joeval Martins, que comemora o fato de existir mais de 110 cidades digitais em todo o país. O número ainda é pequeno, se comparado aos 6.600 municípios brasileiros, mas mostra uma preocupação sobre o assunto.
Preços -Tanto em Itacuruba e Canhotinho, que possuem rede sem fio pagas pelas prefeituras locais, quanto em Garanhuns e Caetés, que envolvem governos, empresas de grande porte e universidade, os projetos visitados pelo Diario são a prova de que não precisa de muito dinheiro para conseguir avanços. Seja por meio do wimax, moderno sistema via rádio que custa em torno de R$ 500 mil; pela energia elétrica, que ainda não começou a operar, mas poderá revolucionar o acesso em Itacuruba com a velocidade da luz; ou pelas antenas de rádio comuns, orçadas entre R$ 30 mil e R$ 100 mil, é fundamental o compromisso com boas ideias e a vontade política para levar a modernidade para a vida de Alexandres, Ronaldos, Edeilmas, Wiksonierys, entre outros.
"A banda larga não é um fim; é um meio. No entanto, é necessário que as pessoas envolvidas perguntem: um meio para que fim? Ter uma conexão de qualidade numa pequena cidade pode significar uma aproximação do estado com este lugar numa série de serviços, mas é preciso realmente ver estapostura por parte da administração pública", finaliza Emílio Lopes, da Intel, acreditando num futuro melhor por meio da conectividade.
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