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Notícias - Empreendedor
Escrito por Diario de Pernambuco - PE   
Seg, 26 de Outubro de 2009 07:08

Entrevista - Ivonete Melo
Da Redação

Esqueça a ideia de que Pernambuco não tem espaço para atores. Apesar do estado não ter produções de televisão voltadas para a profissão, quem deseja ser ator e nem pensa em sair de casa, tem, sim, oportunidades de emprego. Isso quem garante é a presidente do Sindicato dos Artistas e Técnicos de Pernambuco, a atriz e bailarina Ivonete Melo.

Ivonete mesmo é uma prova de que dá para viver do teatro. Desde criança, quando tinha 7 anos, Melo tem paixão pelo palco. O que começou com a dança, acabou na interpretação. "Fiz uns 20 anos de balé, passei mais uns tanto ensinando e acabei indo fazer o curso de formação de atores no Joaquim Cardoso, que era um anexo da Universidade Federal de Pernambuco", lembra a presidente. Mas para conseguir se fixar no mercado, Ivonete batalhou bastante. "Ainda fiz o curso de pedagogia da Fafire para poder ensinar, fiz trabalhos de rua para o Ministério da Saúde e fui agregando um trabalho a outro e ainda os cursos", conta Ivonete, que participa da comissão deliberativa do Funculturae é suplente da Confederação Nacional de Cultura.

Para o Guia de Profissões, ela fala um pouco sobre o mercado de trabalho e garante que com a regulamentação da profissão pela lei federal 6.533 de 1978 aumentaram as chances dos novos atores ingressarem no mercado de trabalho. "Não adianta achar que ser ator é só chegar e decorar um texto que vai ter fama. Para ser um bom profissional é preciso ter certeza do que quer e se afundar mesmo nisso. Ir atrás e estudar para isso", alerta.

O que uma pessoa precisa ter para ser ator/atriz?

Essa pessoa tem que estudar mesmo, conhecer a história do teatro antes de tudo. Ela tem que ter uma preparação corporal, que envolve também voz e mente, tem que ter um perfil de querer se descobrir, de gostar daquilo e ir fundo para enfrentar o mercado de trabalho local e até lá fora.

Em que esse profissional pode trabalhar?

O ator/atriz pode atuar em mil lugares. Na parte de teatro ele pode se voltar para condomínios, para empresas, de rua, ainda pode participar de projetos das prefeituras que incentivam a circulação de espetáculos. Sem contar a parte de televisão, que envolve filmes e comerciais. Hoje, esse profissional já consegue viver da sua arte. Agora, ele não pode se acomodar e ficar esperando um produtor para ser descoberto. Tem que ter um lado empreendedor para ir atrás e se antenar, saber do que está acontecendo.

Como é o mercado de trabalho na profissão?

O mercado local sofre um pouco por não ter televisão, o que o diferencia do mercado do Sudeste. Mas o teatro por aqui é muito forte, dá para sobreviver dele. Hoje tem muitos projetos e lei de incentivo à cultura que geram oportunidades. Claro que no Rio de Janeiro e em São Paulo existem mais vagas, mas a gente se revela em qualquer lugar se tiver disponibilidade para trabalhar e enfrentar o mercado.

Qual a faixa salarial?

O piso salarial do teatro é de R$ 112 por espetáculo. Mas isso é só o valor inicial. Dependendo da produção, de onde vá se apresentar, se for sair da cidade, o valor aumenta. Isso sem falar que televisão é outra faixa, porque envolve foto, outdoor.

Qual conselho você dá para quem quer começar na carreira?

Sempre digo que estude e se prepare. Investir em trabalhos para corpo, voz. É se preparar mesmo. Ler muito e ver se é isso o que quer.

 

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