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12/12 - Aniversário de Belo Horizonte Imprimir E-mail
Datas Comemorativas - Dezembro
Dom, 20 de Dezembro de 2009 10:24

A história de uma cidade é como a história de uma pessoa. Tem seus altos e baixos, seus momentos alegres e tristes, seus erros e acertos.

Não foi diferente com Belo Horizonte, quando de seu surgimento. Até encontrar seu próprio rumo e sua própria identidade, levou tempo. Um tempo feito de suor, trabalho, decepções, mas também de encontros literários, música e clubes carnavalescos.

Desde sua inauguração, em 12 de dezembro de 1897, até hoje, Belo Horizonte tem muita história para contar, para ensinar e certamente para aprender.

>>   A origem do lugar

A cidade de Belo Horizonte foi construída onde antes havia um arraial chamado Curral del Rei. Essa localidade remonta a um período anterior à república e surgiu com a chegada de um bandeirante, João Leite da Silva Ortiz, em 1701, à serra de Congonhas (hoje, serra do Curral).

Nosso amigo não encontrou ouro, mas gostou do clima e da paisagem e resolveu se estabelecer no lugar. Montou uma fazenda - a Fazenda do Cercado - para criar gado e uma pequena plantação, que progrediu tanto a ponto de atrair pessoas de outros lugares e formar ao seu redor o arraial já citado.

A passagem de muitos forasteiros pelo povoado, indo em direção às minas, fez com que Nossa Senhora da Boa Viagem, a quem os viajantes pediam proteção, se tornasse a padroeira de Curral del Rei.

A cidadezinha vivia basicamente da pequena lavoura, da criação e comercialização de gado e da fabricação de farinha. Algodão, ferro e bronze eram produzidos em algumas poucas fábricas instaladas na região, havendo ainda pedreiras, das quais se extraíam granito e calcário, além de frutas e madeiras que eram vendidas para outras cidades.

Com o ciclo da mineração entrando em decadência, Curral del Rei progrediu ainda mais, com o aumento do número de habitantes - passando de 40 famílias para 18 mil moradores - a construção de suas primeiras escolas e também da Matriz de Nossa Senhora da Boa Viagem.

Esse período de expansão, no entanto, não durou muito. As várias localidades que constituíam o arraial foram se tornando independentes e separando-se dele. Já no final do século XIX, só havia cerca de quatro mil habitantes em Curral de Rei, o que fez decair sua economia e o próprio lugar.

>>   A República e seu Belo Horizonte

Com a Proclamação da República, em 1889, um novo horizonte surge para Curral del Rei: a mudança de seu nome. Os moradores republicanos de Curral del Rei viam nisso uma forma simbólica de enterrar o passado monárquico, para seguir rumo ao novo horizonte da república. Sugeriram, então, que se mudasse o nome da localidade para Belo Horizonte, o que foi recebido e acatado em clima de festa.

Nesse clima de alegria, os habitantes de ex-Curral del Rei souberam da notícia de que ali seria construída a nova capital mineira. Foram três dias de festejos, com bandas, discursos, missa solene e muita dança. Os moradores do lugar sentiam-se orgulhosos com a novidade.

Afinal, antes mesmo da república, os inconfidentes já haviam tentado transferir, sem sucesso, a sede do Governo do Estado, em Ouro Preto, para São João Del Rey, em 1879.

Acontece que, no caso de Belo Horizonte, não se tratava apenas de uma mera transferência de sede, mas da construção de uma nova cidade, que em nada lembrasse o passado colonial, tão presente na memória de Ouro Preto. Ou seja, o objetivo era erguer uma capital de arquitetura moderna, que representasse um estado politicamente forte.

Isto, obviamente, trouxe para os habitantes da antiga Curral del Rei um sentimento de euforia e satisfação. O que eles não sabiam é que não havia lugar para eles nos planos dos construtores. A nova capital, que tinha prazo máximo de quatro anos para ficar pronta, seria inaugurada excluindo os genuínos moradores do lugar.

>>  Surge Belo Horizonte

A inauguração de Belo Horizonte aconteceu no dia 12 de dezembro de 1897, sem que sua construção tivesse sido concluída totalmente. Obras inacabadas, comércio em crise, ritmo industrial praticamente parado, desemprego e salários atrasados: este era o quadro da tão sonhada Belo Horizonte em seus primórdios.

Sem falar que a cidade havia sido projetada para acomodar a elite – funcionários do governo ou simplesmente quem possuía dinheiro para adquirir as novas propriedades. Os antigos moradores tiveram suas casas desapropriadas e demolidas, mas não tiveram condições de comprar outro imóvel.

A conseqüência natural desse processo foi o surgimento de favelas nos arredores da cidade, habitadas pelos horizontinos desalojados e pela massa trabalhadora que construiu a capital e não tinha onde ficar.

Outra conseqüência foi a sensação de tédio e decepção. A aparência inacabada da capital, com suas ruas e avenidas largas, aspecto empoeirado e inóspito, causava impressão de abandono. Além do mais, não havia diversão para os poucos primeiros habitantes da cidade. Esta manteve, por certo tempo, um ar de lugar desabitado, sem vida, sem ninguém.

Fonte: www.ibge.gov.br

 

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